segunda-feira, 2 de junho de 2014

DOM FELLAY COLOCA OS PINGOS NOS “I”s




Apresentamos abaixo a conferência realizada por Dom Fellay em Fabrègues, no dia 11 de maio passado, sobre a situação da Igreja e da Fraternidade. A tradução, nossa, é passível de correções. 
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Pensei em apresentar como tema desta pequena conferência (o título): “Para onde vai a Igreja?” e, em seguida, como consequência, “para onde vai a Fraternidade?
Vocês sabem que circulam todos os tipos de rumores, sobretudo sobre a Fraternidade. Há até um movimento que nasceu, movimento de padres que pertenciam à Fraternidade e que, publicamente, têm atacado sua direção, dizendo que seria preciso resistir, que haveria desvios, que haveria intenções de associar-se à Roma modernista. Os termos utilizados são: “vender”, “vender a Fraternidade”, é “Judas”, é “traidor”, é “Dom Fellay se tornou modernista”, enfim, um pouco de tudo, todos tipos de termos extremamente violentos e muito fortes. Parece-me que a intenção dessa conferência não é responder a essas bobagens, pois são simplesmente bobagens, mas muito mais seriamente olhar o que está acontecendo na Igreja. Em seguida não será difícil entender o que ocorre entre a Fraternidade e Roma.
Gostaria, portanto, de começar por descrever um pouco onde está a Igreja e o que acontece com ela.


1ª PARTE – DECADÊNCIA E RESISTÊNCIA NA IGREJA HÁ UM SÉCULO 
DE SÃO PIO X A PIO XII
Não é fácil descrever corretamente o que acontece ou, ao invés, ao que assistimos: a geração de uma confusão jamais vista de todos os tipos de contradições no nível mais elevado, o de Roma. Quando pensamos na mensagem de La Salette, que falava de cardeal contra cardeal, de bispo contra bispo, bem, é o que vemos abertamente, nunca tínhamos visto isso tão claramente e com uma cadência tão considerável, e essas coisas são expostas em público.
Retrocedo assim um pouquinho, pois acho que é interessante ver os movimentos. Quando se diz “o que acontece na Igreja?”, é indubitável que o concílio Vaticano II desempenha um papel de peça mestra, de pedra angular.
Para entender o que acontece ainda hoje, é preciso voltar ao Vaticano II. É aí que se encontra a explicação. Isso não quer dizer que o Vaticano II inventou tudo. As novidades já estavam no ar antes. Pio XII o denunciava; São Pio X já o denunciava com força, ele dizia: “O inimigo está no interior!”; São Pio X não iria somente denunciar o modernismo, mas também tomar medidas práticas para tentar desarmar essa incursão inimiga na Igreja. Acredito que podemos dizer que durante quatro décadas, essa intervenção do Papa São Pio X protegeu a Igreja. Isso não quer dizer que o modernismo estava morto, ele fora vivamente ferido, mas sobreviveu, ele perseverou. Já sob São Pio X, via-se que o método do modernismo é o da camuflagem: ou seja, ele não age mais abertamente. Se ele agisse abertamente, se o inimigo, e, portanto, o modernismo, se mostrasse, imediatamente a Igreja reagiria. 
E por conseguinte, já nessa época se assiste a uma ação subversiva. Por exemplo, em 1918, exatamente após a morte de São Pio X, há as primeiras condenações de Teilhard de Chardin. Teilhard de Chardin pede conselho aos seus amigos, que lhe dizem: “assine, assine o que Roma pede e depois faças o que quiser”. Já aqui aparece essa desonestidade! Ele faz crer que ele se submete e, ao mesmo tempo, ele continua o trabalho de destruição. Também sob Pio XII, pode-se dizer que a vigilância da Igreja existe e, por isso, os modernistas organizam uns métodos, métodos subversivos: no lugar de escrever artigos sob seus nomes e mesmo artigos curtos – eles fizeram isso durante um momento e viram justamente que a Igreja vigiava -, eles começaram a fazer circular folhas soltas sem assinatura, sem nome. Eles se distribuem nos seminários. Eles sabiam muito bem o que faziam, eles estavam inseridos.
É assim que no pós-guerra, nos anos 40-50, todo um pensamento moderno, uma revivescência do modernismo circula, ao ponto de Pio XII ser obrigado a fazer uma encíclica contra os erros modernos (Humani generis, 1950).  A força da linguagem, a força da condenação são iguais à da Pascendi e dos textos de São Pio X. O erro é bem definido, bem condenado. Contudo Pio XII já não consegue mais passar à ação sobre o outro plano: neutralizar essas pessoas. Estes trapaceiam, se escondem. Alguns serão pegos: os famosos nomes: Congar, de Lubac, Karl Rahner. Todas essas pessoas estão sob a vigilância de Roma, algumas são diretamente condenadas, proibidas de ensinar. Congar partirá para o exílio em Jerusalém. De Lubac é proibido de ensinar em Lyon. Seu livro “Surnaturel. Études historiques” – Sobrenatural. Estudos históricos – é condenado, e até considerado na época como o livro mais condenado dos livros condenados! Na América, um padre, John Courtney Murray, a pedido da conferência episcopal americana, desenvolve muito profundamente a ideia da liberdade religiosa: ele é condenado. 
DE JOÃO XXIII AO VATICANO II
Vejam, quando a gente olha hoje o que aconteceu, ficamos perplexos ao ver que os grandes nomes do Vaticano II, aqueles que são considerados pelos historiadores como tendo marcado por seus pensamentos o Vaticano II, são personagens que, 10 anos antes, foram condenados pela Igreja. Dizem: “Mas isso não é possível, isso não é possível, em 10 anos?” Essas pessoas, denunciadas pela Igreja como perigosas e como não ensinando mais a verdade, chegam ao concílio de forma brusca e repentina, e não pela porta dos fundos. Eles chegam convidados, convidados por aquele que querem hoje nos fazer aceitar como um santo, João XXIII!
Dizem de Congar que ele acreditou inicialmente numa piada. Quando lhe disseram “você está convidado ao concílio“, Congar disse “não, isso não é possível! Vocês estão zombando de mim!” Então vejam, houve toda uma preparação, mas podemos dizer que o que aconteceu no concílio foi graças a João XXIII. João XIII desempenhou um papel importante, ele talvez não foi um motor, mas um abridor de portas. Foi realmente ele que facilitou esse trabalho. Inicialmente, ele anuncia o concílio para grande surpresa de todo mundo.
Durante 2 anos, há um trabalho imenso de preparação. 72 esquemas são preparados por mais de 2000 teólogos e bispos, comissões em Roma: realmente um grandiosíssimo instrumento de trabalho de preparação. Na véspera do concílio, o cardeal Suenens vai ver João XXIII e lhe diz: “Não gosto desses esquemas; eles não me agradam“. O papa lhe responde: “A mim também não“. É ele o papa: ele deveria então agir normalmente, e dizer às comissões que fizeram todo esse trabalho: “recomecem o trabalho“. Mas não, não é isso o que ele vai fazer. Ele mesmo vai dar os conselhos, os nomes dos cardeais e pedir ao cardeal Suenens para visitá-los, para afundar o concílio desde o início. Mas isso é absurdo! É o papa que corta o ramo sobre o qual ele está sentado. É inacreditável! Assim, isso começa imediatamente, a partir da primeira sessão do concílio. Eles estão lá para votar, para votar as comissões. Pois bem, há um golpe. O cardeal Liénart toma a palavra. O cardeal secretário do concílio diz “não, vossa excelência não pode, isso não está previsto“. Isso não resulta em nada, ele toma a palavra, e em seguida o cardeal de Munique, que o apoia, e assim sucessivamente. Eles derrubam tudo desde o início. Não haverá voto. Tratava-se no início de uma reunião para preparar votos: não haverá voto. Destitui-se sob o pretexto de que não se conhecia as pessoas para quem é preciso votar, que é preciso então que as conferências episcopais apresentem os nomes, etc… É um verdadeiro golpe, não devemos nos iludir.
É por aí que eles conseguiram em seguida colocar suas pessoas, seus especialistas, os modernos. Isso é inaudito, seria interessante fazer uma investigação histórica para ver se nunca na história dos homens – não falo da Igreja, mas dos homens – viu-se tal coisa. Durante 2 anos, vocês têm a instância legislativa – não ouso dizer uma constitucional, mas é quase isso – que preparou textos. Esses textos são os textos da lei sobre as quais se deve discutir e votar. Pois bem, todos eles vão ser jogados na lixeira, salvo um. 72 textos, 2 anos de trabalho, 2000 pessoas, na lixeira! Um único texto permanece: aquele sobre a liturgia. E todos os demais serão elaborados não pelas autoridades estabelecidas, mas pelas conferências episcopais, pelos pequenos grupos, por aqui, por acolá. E certamente depois vão oferecer isso por trás daquelas que se apresentam agora como as comissões oficiais.
Portanto é pela porta dos fundos que fazem regressar oficialmente toda essa podridão, é mais que um enfraquecimento da fé, é uma demolição da fé que vai regressar graças ao concílio. O concílio não inventou muito mais, ele tomou e catalizou os erros que já circulavam. Contudo alguns advêm apesar do concílio.
O PERÍODO PÓS-CONCILIAR
Em seguida, houve o que chamaram de as reformas pós-conciliares, que foram todas feitas em nome do concílio. Todas! Aqueles que têm um pouco mais idade se recordam bem disso. Tudo isso foi feito em nome do concílio, no espírito do concílio. Para justificá-lo, diziam “as coisas mudam, é preciso se adaptar“. A grande palavra da época era aggiornamento, em italiano isso quer dizer atualizar-se, ajustar-se à moda da época. E os famosos discursos do início do concílio, seja de João XXIII, seja de Paulo VI, são os mesmos: simplesmente esse ajuste ao moderno, é preciso se colocar em sintonia com o mundo moderno. Os resultados não demoraram a aparecer. É a debandada, a debandada dos seminários, a debandada das vocações, os padres que renunciam aos seus votos, os conventos que se esvaziam: a partida de milhares deles, centenas de milhares. Perdeu-se depois do concílio, e por causa de toda essa atmosfera, na ordem de 100.000 padres e de 200.000 a 300.000 irmãs. Isso provocou mais danos que todas as perseguições juntas! Isso é absurdo, absurdo! Danos tais que o próprio papa Paulo VI vai dizer “é um desastre“. Ele vai até dizer “isso é uma força estranha, é o diabo“. Ele vai dizê-lo, mas foi ele quem gerou tudo isso! Vejam, toca-se aí com o dedo em algo muito misterioso. Esses papas produzem a desgraça e em seguida se lamentam sobre essa desgraça. Foi Paulo VI quem criou a missa nova. Logo em seguida ele se queixa. E este é o estado da Igreja há 50 anos. No momento em que as autoridades tentaram impor essas novidades, alguns reagiram: alguns padres, uns fiéis, um bispo. Realmente não houve muitos bispos que reagiram. Aqui na Europa houve apenas um: Dom Lefebvre. 
Havia conservadores no concílio. No concílio, vemos todo um grupo que tenta se defender, mas em seguida eles se alinharam, eles capitularam. É triste dizer, mas eles não ousaram. Vemos a força do argumento da autoridade e da obediência, sobretudo na Igreja. Conheci um deles, ele era o bispo de Valais: Dom Adam. Após a primeira sessão, ele ficara de tal forma triste com o que acontecia em Roma, que ele não foi mais lá. Na segunda sessão, ele fez crer aos valenses que ele iria a Roma, que eles não podiam encontrá-lo em Sion, e ele foi se esconder na fazenda do Grand-Saint-Bernard – ele fora antigo reitor do Grand-Saint-Bernard – ao lado de Aosta. Ele se escondeu lá. Dom Lefebvre, que o conhecia, lhe disse: “Você não deve fazer isso, é preciso que o senhor saia, que o senhor lute, o senhor não deve se esconder“. Dom Adam disse mais tarde ao cônego Berthod, que fora um dos diretores do seminário de Écône e que também vinha da congregação do Grand-Saint-Bernard: “Dom Lefebvre recusou 2 textos do concílio. Eu os recusei todos. Não assinei um único deles porque não os juguei dignos de um concílio“. Infelizmente, em 1975, ele cedeu em tudo. Tão logo ele cedeu, em 20 dias, ele via o papa e o visitava. Isso é uma tragédia: vê-se muito bem que Dom Adam era conservador, mas a seguir ele não resistiu ao golpe.
DOM LEFEBVRE: RESISTÊNCIA CORAJOSA E PRAGMÁTICA
Havia uns bispos que viam que acontecia algo de errado e que tentaram, ao menos em suas cabeças, resistir, mas aquele que realmente ousou resistir publicamente foi Dom Lefebvre.
Vemos desde o início que não existe uma vontade de se mostrar, é simplesmente dizer “Não faço, não vou por esse caminho. A missa nova? Não, não a celebro“. Intervenções em Roma, eles ainda são um grupo, eles tentam conquistar uns cardeais. Há dois deles que assinaram, teria talvez havido mais deles, mas houve indiscrição: houve uma senhora, uma leiga que estava tão feliz por já saber (disso), que ela divulgou as coisas. Assim todos os demais se afastaram. Senão não teria sido impossível ter no início mais resistência à missa nova. 
Enfim, isso pertence à história e é assim. Pouco a pouco, esses conservadores se encontram isolados, isolados uns dos outros, e, depois, desencorajados. Havia na verdade apenas um em quem se via essa coragem. Realmente não devemos ter medo de saudar essa coragem de Dom Lefebvre. Na verdade ele está sozinho. Há no Brasil Dom Castro Mayer, mas é muito longe. Aqui, ele está sozinho, com uma pressão de todos os lados: “Sua excelência desobedece, o senhor está contra todos os bispos, todos os bispos do mundo. Sua excelência é um orgulhoso“, e tudo o que vocês podem imaginar. E ele permaneceu firme! Inicialmente ele renuncia à congregação do Espírito Santo. Ele diz “eu não quero demolir minha congregação“. Roma obrigou que houvesse um capítulo para que a congregação se atualizasse ao concílio. Dom Lefebvre está prestes a se dar conta de que isso seria o fim de sua sociedade. Ele disse “não posso“. Ele se dirige a Roma para pedir conselhos. Na congregação, já tentam neutralizá-lo, sabe-se que ele é conservador, tentam impor 3 chefes para o próprio capítulo. Ele é o superior geral, e está no meio de seu mandato. Tentam impor 3 diretores ou presidentes do capítulo. Dom Lefebvre diz: “Não está certo. Eu sou o superior. Tudo está regulado por nossos estatutos. Devemos respeitá-los“. 
Ele vai à Congregação dos religiosos perguntar o que é preciso fazer, e esta responde: “Faça como outro superior de religiosos que saiu de férias. Então vossa excelência vai sair de férias, e em seguida deixe-os fazer, e depois volte, e então é isso“. Esse é o conselho que ele recebeu de Roma. Ele disse “eu não posso. Isso não é coerente“. Foi aí que ele renunciou, renúncia que foi imediatamente aceita. Ele se encontra, pode-se dizer, na rua. Não completamente, ele ainda tem pequenos trabalhos: somente a congregação das missões. A congregação das missões é o que chamam de propaganda. 
OS PRIMÓRDIOS DE ÉCÔNE: RESISTÊNCIA, PORÉM ESPÍRITO DA IGREJA
Naquele momento, em 1968/1969, ele anda por toda parte. Há em Roma seminaristas do seminário francês que estão assustados e que vêm vê-lo dizendo: “Faças algo, faças algo!“. Dom Lefebvre diz “Mas o que vocês querem que eu faça? Não tenho mais nada, estou completamente sozinho“, “ajude-nos, socorro!”. E finalmente ele é impelido pela Providência divina, ele é impelido por esse apelo dos seminaristas que o suplicam “Ouças, faças algo“, e vai dizer: “parece-me que a universidade de Fribourg, na Suíça, parece se manter, tentemos enviá-los para lá“. Assim ele reúne um pequeno grupo desses jovens, ele aluga um andar entre os salesianos de Fribourg para abrigar esse começo de algo, para tentar formar ainda segundo os princípios tradicionais. 
É nesse momento que chega a missa nova. A introdução dessa missa ocorreu no primeiro domingo do advento de 1969. E aí Dom Lefebvre diz: “não, não a digam, eu não a digo, ela é má, é protestante, o vemos bem“. Há todo um estudo que é enviado a Roma, eu lhes disse isso. Acerca disso Dom Lefebvre tem toda uma reflexão. Ele vê bem o que acontece. Ele se diz: “mas será impossível enviar esses padres que estou formando para suas dioceses, eles vão se encontrar numa situação infernal“. Essa constatação vai impeli-lo a dizer: “Bom, é preciso que se faça algo, é preciso que formemos uma pequena sociedade para esses futuros padres“. É assim que começa a Fraternidade. 
Ao mesmo tempo percebam sempre esse olhar sobre a Providência divina: o que o Bom Deus quer? Ele diz: “o sinal de que a Providência quer isso será o placeto acordo do bispo local, Dom Charrière“. Esse gesto de Dom Lefebvre mostra a vocês quanto, mesmo nessa resistência, ele mantém o espírito da Igreja. 
Ele vai ver Dom Charrière e lhe pergunta o que ele pensa disso. E é Dom Charrière que aprova: “sim, sim, faças isso“. Vocês sabem que não devemos tomar Dom Charrière por um conservador: em 1960 ele fez parte da primeira reunião preliminar de preparação do que chamarão em seguida de liberdade religiosa. Essa ocorrera em Fribourg, com Dom De Smetd, que será o grande relator em Roma das discussões da liberdade religiosa, e com outro dominicano, Hamer, que se tornará cardeal. Eles se encontram lá 10 anos mais tarde, e Dom Charrière diz “é preciso seminaristas, faças isso“. Dom Lefebvre se apoiará sempre sobre esse reconhecimento da Igreja. Dom Charrière não era um combatente do anti-modernismo, mas era o bispo do local. Para Dom Lefebvre isso bastava: há uma aprovação da Igreja. Olhem tudo o que Dom Charrière pôde dizer como bobagens. Mas bem, na época os bispos ainda se comportam quase assim. O que é muito interessante, vocês veem, é que Dom Lefebvre olha mais alto que simplesmente as pessoas, ele olha o Bom Deus. 
Foi o Bom Deus que instituiu essas autoridades e, portanto, as respeitamos. Dom Lefebvre, que teria podido dizer todo tipo de coisas sobre os papas, os respeita. Ele pede para rezarmos por eles, ainda que fiquemos horrorizados com o que eles podem dizer. 
Para falar um pouco do nosso papa atual, isso é improvável, absolutamente improvável. Isso ultrapassa tudo. Mas ainda rezamos por ele. Dizemos: “bom, de acordo com todas as indicações que temos em nossas mãos, ele é papa“. Veremos se um dia elementos nos levam a dizer algo diferente. Por hora os elementos que temos em nossas mãos nos fazem afirmar que ele é papa. E, portanto, rezamos por ele. Isso não quer dizer que deixamos de objetar o concílio, as suas reformas e a destruição da Igreja. Não, ao contrário. Reagimos, porém dizemos “o Bom Deus permite uma provação extraordinária, muito difícil à Igreja“. 
AS INTERVENÇÕES DE ROMA CONTRA ÉCÔNE: PRECISÕES SOBRE AS DIVERGÊNCIAS
Voltemos ao nosso breve histórico: o combate se torna cada vez mais aguçado. Os bispos franceses estão ciosos. Em 1974, Dom Etchegaray anuncia em Marselha, 6 meses antes que as coisas aconteçam, que Écône será fechado. O plano já está lá: eles decidiram a morte de Écône. Por conseguinte haverá uma visita apostólica, ou seja, um controle pelas autoridades romanas do seminário de Écône, onde os enviados de Roma escandalizam os seminaristas, os professores e Dom Lefebvre. Esses enviados de Roma interrogam os seminaristas. A um deles eles dirão exatamente o que dizia Pilatos a Nosso Senhor: “O que é a verdade?” Vocês percebem! Junto de outro seminarista eles duvidam da Ressurreição, dizendo-lhe: “mas a Ressurreição de Nosso Senhor não é absolutamente certa!” A Dom Lefebvre, eles dirão: “Está sendo preparado os padres casados, logo isso vai sair”. Realmente eram os revolucionários que chegavam a Écône para nos julgar. E isso fervilhava no seminário: o que eles vieram fazer aqui?
É nesse momento que Dom Lefevre fez esta famosa declaração de 21 de novembro de 1974. Ela vem daí: todos eles ficaram chocados com os enviados de Roma que deveriam examiná-los, e que, não obstante, foram capazes de dizer no fim da visita que de 95 a 98% das coisas estavam em ordem em Écône.  Somente uma pequena coisa não estava certa: é a recusa da missa nova. Mas todo o resto está em ordem, eles reconhecem isso. Houve uma única visita subsequente: a visita de Dom Gagnon em 1987, que também foi extremamente positiva. Eles simplesmente disseram que havia 2 problemas na Fraternidade: a biblioteca do seminário de Écône só continha livros velhos demais e não tinha livros modernos, e no seminário de Zaitzkofen os professores eram jovens demais. Velhos demais, jovens demais, só. Estas são as únicas observações que eles nos fizeram sobre todas as suas visitas. Vocês veem que não se vai longe com isso!
A RESISTÊNCIA DE ÉCÔNE À AUTO-DEMOLIÇÃO: ENTENDER AS QUESTÕES
E durante esse tempo, a Igreja continua a se demolir por todos os lados. É triste. Dom Lefebvre prossegue por sua vez dizendo: “não posso mais, não posso mais“. “Demolir esse seminário, fechá-lo – é o que Paulo VI pedia -, não posso. As ordens são injustas. O que está em jogo são almas“. Não se trata simplesmente de uma questão disciplinar. Se é apenas uma questão disciplinar, a gente deve obedecer, ainda que isso não nos agrade, mas aqui vemos muito bem que há uma questão grandiosa. 
Quanto mais avançamos, mais o vemos: essa questão é a defesa e a conservação da Tradição. E quando dizemos “da Tradição“, isso quer dizer “da Igreja“, porque a Igreja é Tradição. É da natureza própria da Igreja transmitir o que Ela recebeu. Ela não pode mudar, ela não tem o direito de mudar, mas, ao contrário, ela deve, segundo a famosa palavra de São Paulo, transmitir o que ela recebeu. Isso é a Igreja, isso é justamente Tradição. O próprio São Pio X disse: “todo católico é tradicional“, porque toda nossa vida, todo nosso patrimônio, nós o recebemos, recebemos de Nosso Senhor, portanto, de Deus. Ela é a Revelação, transmitida em seguida de geração em geração até o fim. É por isso que dizemos que a Revelação tendo terminado com a morte do último dos apóstolos, não há mais evolução
Não é possível, a verdade não muda. Pode haver pequenas modificações – chamemos assim -, mas elas não mudam o fundo: precisões nos termos com a evolução da filosofia. Pode haver aperfeiçoamentos na filosofia. Isso não é a teologia, não é a Fé. Vai-se aproveitar de certas afinações, vai-se utilizar termos – e mesmo termos novos – para não dizer nada de novo. Por exemplo: a palavra transubstanciação, que surge bem no início da Idade Média, depois que os filósofos discutiram um pouco sobre a questão da substância. Com essa palavra, a Igreja vai bloquear todas as heresias sobre a Santa Eucaristia. Ela é um termo técnico, filosófico, mas de São Pedro até hoje a coisa ao qual se crê é exatamente a mesma: Nosso Senhor está realmente presente na hóstia. Agora se define substancialmente, por modo de substância, mas a coisa é exatamente a mesma, temos exatamente a mesma Fé que São Pedro e os primeiros apóstolos. É isso que é lindo. Isso é magnífico. A Igreja é justamente isso, e isso não muda. E de repente, depois de séculos e séculos onde sempre se ensinou isso, nos dizem que agora, com o concílio, isso pode mudar. Não, isso não está certo! 
É isso que aconteceu no concílio, eles começaram a dizer “isso pode mudar“. Eles foram hábeis, os teólogos, nesse trabalho de destruição. 
Sob Pio XII os textos que eles publicaram o foram mais frequentemente sob um aspecto histórico, eles vão falar de história dos dogmas.  Todas as vezes que vocês encontrarem um livro que tem isso em seu título, vocês não precisam nem sequer lê-lo, vocês podem deixá-lo de lado: é quase certo que se trata de um livro modernista que tenta lhes mostrar que houve evolução do dogma, ou seja, que o dogma mudou. Muito hábil: uma página verdadeira, uma página falsa, este era o método deles. Pode-se dizer que até aqui eles não trocaram de método!
JOÃO PAULO II: APROFUNDAMENTO DAS CONSEQUÊNCIAS DO CONCÍLIO
Então, chegamos sob João Paulo II, que continua a avançar e tira todas as consequências do concílio. Uma das mais espetaculares é Assis. Na verdade um grande escândalo que atinge profundamente – não se pode ir mais fundo que isso – este laço único entre a Igreja e Deus. Há apenas uma única Igreja fundada por Nosso Senhor, é a Igreja católica. E necessariamente isso quer dizer que a única que é capaz de agradar a Deus é a Igreja católica. No concílio começaram a dizer que “não, há bem por toda parte; pode-se agradar a Deus um pouco por toda parte“. E opa, abre-se as portas. No concílio eles são hábeis, eles não vão dizer as coisas completamente, eles não vão dizer as heresias assim, eles vão dizer pequenas frases como: “O Espírito Santo não deixa de tomar as demais religiões como meio de salvação“. Eles vão dizer que há meios de santificação entre os demais cristãos. Estritamente falando, o que é dito não é falso. Isso é muito hábil, o que é falso é o não dito: se vocês disserem e se vocês reconhecerem que em certas seitas protestantes ainda há o batismo, portanto, sacramentos, que ainda há as Sagradas Escrituras – um pouco falsificada -, dizer que ainda há algo que poderia santificar (um batismo válido pode santificar, isso não é falso; o problema é que não ele não pode ter seu efeito, porque há obstáculos, e isso eles não o dizem mais!) (isso) leva a crer de repente que esta pode salvar. Isso é óbvio. Se vocês tomarem um avião onde falta o piloto, os motores e a cauda, e se vocês se esforçarem por dizer “Olhem essas asas! Elas são magníficas! São asas com as quais podemos voar!“, isso é verdade: com essas asas se pode voar, mas o avião não voará porque não há nem piloto nem motores nem cauda! É esse o problema dessas confissões cristãs que partindo pegaram alguns pedaços da Igreja católica: elas roubaram (os pedaços), mas elas não podem voar (como o avião)!
Isso é enganar. É simplesmente enganar. Porém é hábil, e a maioria dos erros do concílio são desse gênero. Vai-se misturar o verdadeiro e o falso, e até vão dissimular o falso. Não vão dizer forçosamente muitas falsidades, eles vão dissimulá-las. Isso (é) errado. 
E justamente depois vocês têm um papa, João Paulo II, que vai tirar as consequências disso e realizar Assis, onde todo o mundo está lá. Ele vai escrever a encíclica Ut Unum Sint, na qual ele diz que todas as religiões têm por fim Nosso Senhor. Como afirmar que todas as religiões, que acham que dizer “Nosso Senhor é Deus” é uma blasfêmia, podem conduzir a Nosso Senhor? É ridículo. Contudo é o que vocês encontram em suas encíclicas! 
BENTO XVI: MODERNISTA-CONSERVADOR 
Chegamos a Bento XVI. A evolução da Igreja conduziu essa à decadência. A realidade da Igreja é que ela se desfaz. Por todos os lados ela parte em pequenos pedaços, suavemente. Talvez não seja sempre espetacular, mas quando fazemos a soma isso se torna impressionante. Quando olhamos a França, se eu entendi certo, (lá) estão prestes a demolir 7000 igrejas católicas porque não há mais ninguém, porque (elas) custam muito caro ao estado. E se entendi certo, em 2015 – isso está muito próximo – vão diminuir em um terço as dioceses na França e reorganizá-las: este é um plano de já há alguns anos. Em resumo, é um desastre. 
Chega Bento XVI, que é uma mistura; do ponto de vista intelectual ele é um professor, alguém que vive na especulação e, nesse nível, ele está muito profundamente tocado pelo modernismo. Todas as vezes que ele se lança na teoria, não se entende mais nada, não se sabe o que ele quer dizer, é assustador. Quando ele está no concreto é  um pouco melhor: quanto à liturgia, vemos, ele ama ela, ele quer uma bela liturgia. Há como uma espécie de dicotomia nele, como 2 aspectos: o aspecto teórico, onde ele se lança nas estrelas, e um aspecto concreto, que é também um pouco mais conservador. Durante seu pontificado ele tentou colocar os freios, deter algumas coisas, até corrigir e fazer – não sei se é preciso recordar isso – algumas restaurações. Vemos isso com a Santa Missa, ainda que se possa reclamar e discutir sobre a qualidade desse famoso motu proprio
Este não teve muitos efeitos nos fatos, contudo ele afirma fundamentalmente, relativamente ao direito, que a missa antiga nunca foi abolida. Com respeito ao direito essa é uma peça mestra, do ponto de vista jurídico essa frase é de uma força extraordinária. Isso quer dizer que essa lei continua em seu estado anterior. E a lei é a lei universal da liturgia romana. Afirmar que ela não está abolida quer dizer que ela continua nesse estado: a missa antiga é lei universal da Igreja. O problema é que fizeram uma segunda. 
O que é espantoso é que o papa tenha pronunciado essa frase, visto que ele coloca um problema jurídico: vocês têm 2 leis diferentes sobre o mesmo sujeito. É um pouco como se vocês dissessem: “pode-se mover para a direita” e “pode-se mover para a esquerda“: isso cria alguns problemas! Não obstante para nós é extremamente precioso ter essa frase do papa. E é realmente muito precioso. Pode-se discutir algumas coisas, a verdade é que ela é realmente muito forte. 
Portanto vocês têm um papa que tenta, que vê bem que algumas coisas não estão bem. Ele tenta, custe o que custar. Ele não é muito forte, sabemos bem. Isso vai conduzir até mesmo à renúncia. A renúncia não é um ato de força.  Ele não aguenta mais. Acho que ainda se escreverá livros sobre as razões de sua renúncia. Parece-me que essa que foi dada, ou seja, a incapacidade de governar, é plausível. Isso não quer dizer que não haja outras, ligadas.  Mas essa que foi apresentada, de uma fraqueza física – alguns dirão fraqueza psicológica – é em todo caso possível. Pode haver pressões, não excluo isso, mas antes de poder afirmá-lo, seria preciso ter as provas. 
BENTO XVI, DESPACHAR O CONCÍLIO: O CONCÍLIO DAS MÍDIAS
O que é interessante é que no fim de seu pontificado Bento XVI vai fazer o que não se pode chamar completamente de um balanço, um dos últimos textos que temos dele. É uma conferência onde ele vai falar livremente durante 40 minutos ao clero de Roma, uma dezena de dias antes de partir. Ele conta ao clero romano sua experiência do concílio. Ele lhe diz como ele viveu o concílio. Essa vale a pena. Considero essa conferência preciosa porque ela nos mostra como ele é: já vemos aí esse duplo aspecto, um aspecto que quer continuar conservador, que quer manter as coisas, mas ao mesmo tempo um aspecto que quer renovar. Para ele seria preciso renovar, isso seria normal (atenção, cito o papa!). E depois ele se queixa sobre as coisas que aconteceram. Ele reconhece que há coisas que aconteceram que não deveriam ter acontecido. Ele vai até dizer “não queremos mais isso“.
É muito interessante que, para tentar explicar o que aconteceu, ele invoque o que ele chama de o concílio das mídias. Ele não é o primeiro a nos falar dele, mas desta vez é o papa que nos fala. Essa ideia circula durante o pontificado de Bento XVI. Vamos encontrá-la sob a ideia da hermenêutica da continuidade. Ela consiste em dizer “há um verdadeiro concílio, que é um bom concílio e que quis ser fiel; em seguida houve desvios, mas estes não advém do verdadeiro concílio. Eles advém de um falso concílio que se colocou no lugar do verdadeiro“. Esse falso concílio, o papa o chama de o concílio das mídias. Em outras palavras, as mídias desviaram as decisões do concílio. Acerca disso elas (o) amplificaram, e, de acordo com ele, o que chegou aos fiéis não foi mais o verdadeiro concílio. Não é realmente isso o que o concílio quis. Esse é o modo das mídias interpretarem o concílio, modo evidentemente desse mundo, ou seja, político, horizontal, e que esquece completamente a dimensão vertical da Igreja. Ele vai tão longe, que ele vai colocar tudo nas costas desse famoso concílio das mídias, que para mim é ficção científica. Alguns elementos são verdadeiros: as mídias puderam manejar por um lado as cadeias de transmissão e, do outro, criar propaganda, falsificações, fraudes. Contudo afirmar que todo o concílio, durante mais de 40 anos, chegou aos fiéis de modo errado, (nos) faz fazer muitas perguntas sobre o que as autoridades da Igreja fizeram durante esse tempo. Se durante mais de 40 anos um falso concílio foi oferecido às pessoas, o que eles faziam em Roma durante esse tempo? Para nós, parecia que eles concordavam completamente com todas estas novidades, com o que ele chama agora de o concílio das mídias. Há algo que não está certo! 
O que é interessante é ver um papa tentar se livrar (da responsabilidade), dizendo que há muitas coisas que foram passadas erradas, mas que a culpa não é sua. Há vilões, (eles) são as mídias. 
O que ele vai nos dar como ilustração? A colegialidade: ele nos diz que as mídias apresentaram a análise da Igreja de um modo político, falando dos combates progressistas/conservadores, etc…, falando das conferências episcopais como de uma versão horizontal, democratizante, etc…; não há mais versão vertical: isso é culpa do concílio das mídias, diz ele. Mas na realidade é evidente que a colegialidade significa introduzir a democracia, e é o próprio texto que a introduz. Houve até todo um combate naquele momento sobre a colegialidade. Ainda hoje lutamos acerca disto, sobre o texto do concílio. 
O que ele vai nos dizer ainda? A missa nova: o papa vai dizer que essa missa nova, que é achatada, horizontal, ao nível dos homens, é o concílio das mídias. Ele vai nos dizer: os seminários vazios, as congregações religiosas vazias, tudo isso é devido ao concílio das mídias. Considero isso um pouco fácil! É assim que ele explica as coisas, como para dizer “quiseram fazer algo, mas isso fracassou porque houve o concílio das mídias“. 
Em seguida, no fim, ele nos diz: “tranquilizem-se, o concílio das mídias está se dissipando“. Como a nuvem se dissipa, agora chega o sol: o verdadeiro concílio chega! E ele vai embora!… Com efeito, trata-se de uma falsa problemática. Contudo o que é interessante é que há aqui o reconhecimento de que as coisas não estão bem na Igreja. Há ao menos isso. 
O PAPA FRANCISCO, HOMEM DE PRÁXIS
Chega o papa Francisco. Gostaria de dizer a mesma coisa. “Tudo está bem!“. Com o papa Bento há coisas que não estão bem. Com o papa seguinte tudo está bem. O concílio das mídias? Não existe mais, acabou. Além do mais, as mudanças, era muito bom, era preciso isso; Ele vai até dizer que está absolutamente fora de questão discutir o concílio, ele é a vida da Igreja, isso é fato. 
Além do mais, vejam: João Paulo II apenas falou do concílio, ele repetiu e repetiu o concílio, o concílio, o concílio. Bento XVI é misturado. Francisco? Ele praticamente nunca fala dele, mas se há alguém que vive o concílio e o introduz na vida da Igreja, este é ele. Muito mais que todos os outros. É ele que passa à ação. 
Entender Francisco? Isso não é fácil. Um argentino me deu a chave da compreensão. Ele me disse: “Preste atenção! Vocês europeus tem muita dificuldade em entendê-lo: ele não é um homem de doutrina. É um homem de práxis, de prática“. 
Vejam! Quando se fala de um homem de doutrina, isso quer dizer que ele é um homem de princípio. Ele age de acordo com princípios. Há coisas que ele não fará por causa de seus princípios, ainda que ele deva sofrer com isso. É a fé que diz que há coisas que não se faz. O homem de princípio está disposto a suportar algo de doloroso em nome de seus princípios. Ele apenas se mantém. O homem de práxis é como uma agulha que tenta se alinhavar na realidade e daí tirar o máximo de vantagens, pouco importando o que se passa ao redor, pouco importando as teorias. Dizer isso do papa, vocês percebem! Mas vemos isso todos os dias, desculpem-me por falar isso assim. 
Contudo, novamente não é tão simples quanto gostaríamos. Em muitos sermões de Santa Marta pela manhã, o papa tem uma linguagem que nos é muito familiar. De fato, é igual a nós: ele fala do Céu, do inferno, do pecado, da necessidade da contrição, coisas que nos são completamente familiares… Mas por acaso ele seria conservador?… Ele diz coisas assim, mas é sempre por prática. Frequentemente isso tem um aspecto razoável. Em seguida, de repente, há uma pequena frase que desentoa, e dizemos “mas isso não está certo!“. 
Dou-lhes uma delas: ele está falando numa igreja, diante dele, ele tem desabrigados, em minoria católicos, os demais sendo muçulmanos. Ele lhes fala, ele lhes fala em um momento da Cruz, ele lhes diz que é preciso carregar a cruz, que é preciso mostrar a cruz, depois ele diz “vejam, isso é normal, os cristãos devem rezar. Pois bem, rezem com a Bíblia“, em seguida ele se dirige aos muçulmanos: “Vocês, os muçulmanos, rezem com o corão“. Como se os dois fossem completamente iguais! Mas não é simplesmentecomo se; a frase seguinte é: “Vocês sabem, o que é importante é ser fiel ao que nossos pais nos deram. Sejam fiéis, conservem isso e tudo ficará bem“. Católicos, muçulmanos, verdade, falso, blasfêmias, heresias, pouco importa, é preciso ser fiel ao que recebemos de nossos pais e tudo ficará bem! Aqui não dá mais! Ele está falando para todas essas pessoas, ele não está falando somente com católicos. Se ele falasse apenas para católicos, sim, é isso que é preciso dizer: “guardem, sejam fiéis ao que recebestes de vossos pais“. Evidentemente! Mas se diz isso apenas a católicos, não aos outros! 
Esse é um pequeno exemplo do problema do papa francisco, papa fundamentalmente moderno. Ele disse isso várias vezes, ele expressou muito claramente seu desdém ou sua incompreensão (não sei como é preciso dizer) por tudo o que seria ligado ao passado. Na verdade, ele o condena claramente, não simplesmente em entrevistas a ateus, mas até aos seus jesuítas, num artigo impecável, e também na exortação apostólica. É sempre a mesma coisa, vê-se muito bem que ele é assim, ele é moderno a um ponto que deve nos aterrorizar. A definição que ele dá do concílio é “a releitura do Evangelho à luz da cultura moderna“. Em teologia, também em filosofia, a luz é o que dá a especificidade, e para um católico a luz é a Revelação. Portanto, quando se lê o Evangelho, a única luz que nos é permitida é a luz da Fé. Dizer “ler o Evangelho à luz da filosofia moderna” quer dizer que a filosofia moderna vai ditar o modo cujo vamos lê-lo. Para um católico isso é um não-senso. Mas para o papa Francisco isso é natural. E ele diz em seguida “era evidente para os padres do concílio que isso implicava necessariamente no ecumenismo“, depois “nesse domínio do ecumenismo, não se fizeram realmente grande coisa, foram feitas muito poucas coisas“.
Quando se vê tudo o que eles fizeram em nome do ecumenismo desde o concílio, cai-se das nuvens! E  ele disse: “eu tenho a humildade e a ambição de fazer algo!” O que vai acontecer então? Para o ecumenismo ainda não vão fazer nada, enquanto que – ainda que isso ainda seja teoricamente defendido – vemos intercâmbios onde o pastor toma o lugar do pároco e o pároco o lugar do pastor? Na Austrália, eles fizeram um acordo triplo: anglicanos, luteranos e católicos. Esse acordo é o seguinte: cada um dos 3 muda todo domingo e vai na igreja do outro, e os fiéis são convidados indiferentemente a ir em uma ou noutra. Em outras palavras, vale tudo. Na Suíça, a nível docente, a faculdade de teologia de Lucerna fez um acordo de equivalência das grades acadêmicas com a faculdade teológica protestante de Bâle; Em outras palavras, (essas) vale exatamente a mesma coisa. Vocês têm um protestante que fez sua tese de teologia protestante em Bâle e essa é aceita e reconhecida exatamente no mesmo nível que um doutorado de teologia católica. Em outras palavras, teologia protestante e teologia católica têm exatamente o mesmo valor! Vocês percebem! Isso é público, não é escondido. O que eles fazem em Roma? Eles deixam fazer. Essa é a situação da Igreja. 
Para onde vai a Igreja? Como não há grandes princípios, é muito difícil dizê-lo. 
ALGUMAS IDEIAS DO PAPA FRANCISCO
O papa expôs algumas ideias:
1º É preciso decentralizar o poder romano, ou seja, é preciso distribui-lo às conferências episcopais. Bento XVI dizia que as conferências episcopais não tinham fundamento teológico, e o papa Francisco diz que é preciso refletir para ver se não se encontra um. Eis já aqui uma ideia que mostra a dissolução do governo na Igreja.
2º No nível dos costumes e da moral, há esta famosa questão da comunhão aos divorciados. Vocês vão ver, com isso virá tudo, pois esse ponto é uma fechadura que ainda protege todas as noções da família, da família cristã, de sua indissolubilidade. Ele trabalha de modo extremamente hábil; ele faz isso por ingenuidade ou é calculado? Tenho refletido muito e creio que isso é calculado. Posso estar errado, espero que esteja errado, mas acho que é calculado: dá-se um golpe, logo depois um cardeal tenta desviar as questões, em seguida dá-se novamente um golpe e tenta-se novamente desviar as questões, e no fim mais ninguém sabe no que se deve crer ou não. Sobre essa questão da recusa da comunhão aos divorciados “recasados”, isso é de tal modo forte: um falso casamento assim é um estado de fornicação, um estado de pecado e é absolutamente impossível dar a comunhão a alguém em estado de pecado. Esse é o ensino da Igreja e nenhuma variação é possível. Não obstante, ele busca! Durante o último consistório em preparação ao sínodo deste outono, sobre essa questão, o papa pediu ao cardeal Kasper para fazer uma conferência que durou 2 horas, em seguida os demais cardeais falaram: em torno de ¾ dos cardeais foram contrários à tese apresentada pelo cardeal Kasper, que é (a favor) da abertura; esse disse uma frase que corresponde ao que dissemos de seus métodos: “é preciso fazer com esta questão exatamente o que fez o concílio”, e o que fez o concílio? Ele reafirmou a doutrina católica e, em seguida, abriu as portas, em outras palavras, ele negou o que ele acabara de afirmar. O cardeal Kasper não o diz assim, mas esta é a realidade. Ele diz “é isso o que precisamos fazer agora”. Dou-lhes um exemplo surpreendente desse método de trabalho: é a comunhão na mão. Vocês se dão conta de que a comunhão na mão foi introduzida graças a um texto que denuncia a comunhão na mão como um abuso, que a condena? Eles são hábeis apesar de tudo; eles fizeram um texto que denuncia a comunhão na mão e é esse texto que vai, todavia, permitir a chegada da comunhão na mão no mundo inteiro, visto que depois de ter dito que isso não era bom, eles vão acrescentar que “lá onde já o praticam, pode-se continuar”.
E eis como isso aconteceu. É isso que temo para essa questão da comunhão aos divorciados: eles vão dizer “claro que não, claro que não” não se pode!… mas, se em tal caso...” vocês vão ver!
3º Há também uma questão anexa, a da introdução da mulher nas decisões importantes da Igreja. Não sei como eles vão fazer isso, mas esta é um “xodó” do papa. Quando lhe disseram: “o senhor quer mulheres cardeais?”, ele respondeu, “não, não; isso é clericalismo”. Bom! O que ele tem em mente? Ele também disse que havia coisas obsoletas na Igreja que não era preciso ter medo de varrer, que era preciso suprimir as velhacarias e rejuvenescer a Igreja, varrer, jogar fora.
O que vai nos restar? Sabe Deus! Isso é realmente assustador.
ALGUMAS REAÇÕES ATUAIS NO INTERIOR DA IGREJA
Há uma grande esperança, ela é o Bom Deus, isso é claro, mas no nível dos homens há talvez uma pequena esperança: segundo me consta, certo grupo de cardeais está preparando algo; um deles disse “se, durante o sínodo de outubro, eles aprovarem a comunhão aos divorciados, então haverá um cisma na Igreja”. Isso quer dizer que alguns vão reagir. Há cardeais que vão dizer “isso não é possível!”. Não sei quantos eles são. Rezo, suplico para que eles tenham a coragem de falar. Que eles não esperem, que eles se apressem! Não é impossível, como eu já disse, que se chegue a uma situação ainda mais confusa. Imaginem que o papa se encontre do lado dos malfeitores, que um grupo de “bons” cardeais reaja e que certamente é necessário apoiar os bons contra um papa cismático, isso vai ser uma dessas grandes confusões! Eles não param de rir. Enfim, esses são esquemas, veremos como as coisas vão acontecer. É preciso suplicar ao Bom Deus para que Ele nos proteja em todas essas questões. 
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2ª PARTE – SABER NOS POSICIONAR NO CONTEXTO ATUAL
O que fazemos dentro disso? Nós simplesmente nos mantemos de lado. 
2012: NOSSA LUTA PELA REVISÃO DA AUTORIDADE DO CONCÍLIO 
Em 2012, houve uma pequena esperança de que eles rebaixariam a qualidade do concílio. Essa pequena esperança estava numa das frases do que Roma nos propunha: “há uma discussão legítima sobre os pontos que geram problema“, portanto, do concílio. Se há uma discussão legítima sobre o concílio, isso quer dizer que o concílio não é mais obrigatório, que ele não obriga mais. Para mim essa era uma modificação qualitativa do concílio que conduzia quase ao que dizemos, a saber, que esse concílio não tem a autoridade dos demais concílios e, portanto, ele se torna discutível. Levamos mais de 6 meses para verificar que esta frase queria dizer isso e, no fim, voltamos à estaca zero: era preciso inicialmente aceitar o concílio, e depois discutir, é o que eles me disseram. Eu disse: “isso não serve para nada, não há discussão. Não podemos aceitar, isso é tudo. Isso é contra o que a Igreja ensinou“. Isso bloqueou tudo. 
A questão que restava era saber de que lado se encontrava o papa Bento XVI. Recebia mensagens que me diziam “o que propõem à vossa excelência não é o que o papa quer, ele quer mais, ele quer coisas mais conservadoras“, mas no fim ele se alinhou à Congregação da Fé. Eu lhe escrevi que eu não entendia mais e que ele me dissesse claramente, de uma vez por todas, o que ele queria, e ele remeteu um texto estipulando que deveríamos aceitar esse concílio como parte integrante da Tradição. E ele até disse “da dita Tradição“, pois a frase precedente era que seria preciso aceitar que o Magistério seja a norma da Tradição apostólica, que nos diz o que pertence à Tradição (o que é verdade, o Bom Deus deu aos papas essa missão de vigiar sobre o depósito revelado; é o papa que pode nos dizer o que pertence à Escritura Santa; os protestantes não concordam, mas é o papa que decide; ele tem esse poder, e ele sozinho). Mas em seguida dizer que é preciso aceitar que o concílio faz parte da Tradição apostólica, ou seja, do ensino dos apóstolos, é falso, não dá mais. 
2012: A QUESTÃO DA MISSA… E DOIS TRISTES RELATÓRIOS
E, por conseguinte, era preciso aceitar que a missa nova não era simplesmente válida, mas lícita. Aqui também eu disse “não“. Lícita quer dizer que ela é boa. Disse “não“; dissemos sempre o contrário; ainda que ela seja válida, ela não é lícita. Eles tiveram uns argumentos relativamente sutis:
- Vocês reconhecem que ela é válida se ela é dita corretamente, com todos os elementos que é preciso?
- Sim – Se ela é válida, é por que Nosso Senhor está realmente presente sobre o altar?
- Sim – Mas Nosso Senhor é infinitamente santo?
- Sim – Há o sacrifício de Nosso Senhor?
- Sim – Sacrifício ele também infinitamente santo?
- Sim
- Então, como vocês podem dizer que essa missa é má, visto que há aí toda a santidade de Deus, de Nosso Senhor, do sacrifício. 
Então lhes explicamos o que é a Liturgia. A Liturgia é um conjunto de gestos, de palavras que são de ordem sensível, da ordem de sinal, como os sacramentos, que indica uma realidade muito mais profunda. Se uma missa é válida, isso quer dizer que essa realidade essencial está aí. Mas a Liturgia é – iria dizer – o sinal, o veículo que nos traz essas graças essenciais, e é ela que foi danificada. O sinal, ou seja, o que ele deveria significar, o que ele deveria representar, o que ele deveria nos trazer do nível sensível rumo a essas realidades, foi prejudicado. 
Se vocês querem um exemplo um pouco mais simples, quando vocês comem uma maçã, vocês não comem inicialmente a essência da maçã; o que vocês comem são os acidentes: a cor, o gosto, a quantidade; isso não é a essência. Se esses elementos estão estragados, se vocês têm uma maçã podre, se ela ainda é suficientemente maçã para dizer que é uma maçã, a essência da maçã está lá, mas ela está podre e vocês não a comem. Não é complicado. 
A Liturgia é igual. Querer simplesmente lutar dizendo “o essencial está aí” é insuficiente. O essencial da Liturgia é mais que isso, é todo esse conjunto desejado pelo Bom Deus e que vai nos conduzir ao Bom Deus. Vejam essa bela liturgia, os gestos, colocar-se de joelhos, a música, os cânticos, tudo isso nos conduz rumo a esta realidade do Sacrifício. Se tiram esses elementos, chega-se até a negar essa realidade do Sacrifício. 
É o que vemos na missa nova: os padres negam essa realidade. A quantidade de padres que hoje negam a realidade da presença real é inverosímil. Fizera uma estimativa e chegara a 40%. Isso já é grandioso, e achava ter sido severo. Falei com padres modernos e eles me disseram que era 60%. No último ano tive dois relatórios. Um da diocese de Tréveris, na Alemanha. É o vigário geral que anuncia que 80% dos padres não acreditam na presença real! O outro vem da diocese de Sidney, na Austrália. Eles redigiram um questionário dirigido aos padres, com resposta anônima: 78% não acreditam na presença real. Tais são os resultados, e como vocês podem dizer que esta missa é boa!? Nunca na vida! Essa missa é má. 
- Logo, eles disseram, a missa do papa é má?
- Sim. Vocês a fizeram assim, vocês tiraram todos esses elementos que designam e alimentam a Fé. 
Eis o resultado.
O PAPA FRANCISCO E A FSSPX
Com o papa atual, como ele é um homem prático, ele vai olhar as pessoas. O que pensa, finalmente o que acredita uma pessoa tanto faz para ele. O que conta é que essa pessoa lhe seja simpática, que ela lhe pareça direita, podemos dizer isso. 
E assim ele leu duas vezes o livro de Dom Tissier de Mallerais sobre Dom Lefebvre, e esse livro lhe agradou. Ele é contra tudo o que representamos, mas como vida, ele lhe agradou. Quando, ainda cardeal, ele estava na América do Sul, o Superior do distrito veio lhe pedir um serviço administrativo que não tinha nada a ver com a Igreja: problema de visto, de permissão de estadia. O estado argentino, que é muito à esquerda, se aproveita da concordada, estimada como capaz de proteger a Igreja, para nos importunar muito seriamente, e nos diz: “vocês se afirmam católicos, é preciso então que vocês tenham a assinatura do bispo para residir no país“. O Superior do distrito foi então expor-lhe o problema: havia uma solução fácil, era nos declarar igreja independente, mas não queríamos, pois somos católicos. E o cardeal nos disse: “Não, não, vocês são católicos, é evidente; vou ajudá-los“. Ele escreveu uma carta em nosso favor ao estado, que é  de tal modo de esquerda, que ele conseguiu achar uma carta contraditória da parte do núncio. Então 0 a 0. Agora ele é papa e nosso advogado teve a ocasião de ter um encontro com o papa. Ele lhe disse que o problema permanecia para a Fraternidade, e lhe pediu para ele ter por bem designar um bispo da Argentina com quem ele pudesse tratar para resolver esse problema. O papa disse: “Sim, e esse bispo sou eu, prometi ajudar e o farei“. 
Ainda espero, mas enfim ele disse isso, assim como ele disse “essas pessoas acreditam que vou excomungá-las, elas se enganam“; ele disse outra coisa muito interessante: “Não os condenarei, e não impedirei ninguém de ir a eles“. Novamente, espero para ver. 
Ao mesmo tempo, o que vejo é que o cardeal Müller, que está evidentemente abaixo do papa – mas, enfim, ele fala -, disse: “mas essas pessoas estão excomungadas!“; disseram-lhe que a excomunhão foi levantada; ele responde: “sim, mas resta a excomunhão sacramental!“. Não conheço essa! Mesmo nos livros, ela não existe! Mas ele inventou uma para nós, e ele diz de todos os modos que somos cismáticos. Portanto o nº2, que sobre as questões morais ataca o papa, repete a verdade com força contra estes e se faz retomar pelos cardeais, tem também uma posição contrária àquela do papa em relação a nós. Vejam, não devemos nos enganar, não mesmo!
AINDA NADA DE ENTREVISTA COM O PAPA
Até aqui, não pedi (uma) audiência. E justo hoje, isso é divertido, corre um boato sobre a internet. Alguém disse possuir a prova de que Dom Fellay viu o papa, há um encontro que fora preparado, etc…, etc… Vou lhes dizer o que exatamente aconteceu. A comissão Ecclesia Dei tinha pedido que eu os encontrasse. Fui a Roma em dezembro de 2013 e, ao meio dia, fomos comer em Santa Marta. O papa também come em Santa Marta, nesse grande refeitório, maior que essa igreja, afastado dos outros convivas. Não comemos em sua mesa! Quando os monsenhores viram que o papa tinha acabado e saia, eles me tomaram; saímos do refeitório e, no corredor, o bispo que estava comigo me apresentou ao papa. Eu o saudei. O papa disse “encantando em conhecê-lo“, respondi “rezo muito“; não disse sequer que eu rezava por ele, mas simplesmente “eu rezo muito“. Ele me respondeu “reze muito por mim“. E terminara. Só isso. 
Se vocês querem chamar isso de um encontro, vocês o podem, e podem também dizer que ele fora preparado, mas ele não serviu estritamente para nada! 
Dizer que eu tive uma audiência ou não sei o que, não é verdade. Usa-se de pequenas coisas verdadeiras para fazer montanhas com elas. Criam-se histórias que são completamente falsas. Disseram também que o padre Nély tinha comido com o papa. Isso é falso. Ele também estava em Santa Marta. (Lá) É um hotel para o clero. O papa come em um canto; vocês comem noutro canto; vocês não podem dizer que vocês comeram com ele; ou vocês dizem de modo tão amplo que vocês comeram com o papa, que isso não tem sentido, isso não é sério. Acerca disso constrói-se todo tipo de coisas: “olhem, vejam, eles estão fazendo acordos“; isso não é absolutamente verdade. 
SEM ACORDO POSSÍVEL NA SITUAÇÃO ATUAL 
Recentemente também disseram outro negócio, creio que foi Dom Williamson que disse isso: “sim, sim, eles anunciaram, vai haver um reconhecimento sem contrapartida, é uma tolerância!“. De fato, o que se tenta explicar é que não haverá acordo, que isso é absolutamente impossível na situação atual. Simplesmente. E desde 2012 não há mais nada. Então o que a gente constata é que o papa diz que ele não quer nos condenar, é (isso) o que chamam de uma tolerância de sua parte. Se isso nos abre de tempos em tempos uma ou outra igreja para uma peregrinação, não somos contra, mas isso não quer dizer que nos humilhamos diante de Roma! 
Eles misturam tudo, eles falseiam tudo! Tolerar-nos não é sequer dito, e hoje numa igreja eles nos toleram, em outra, eles nos enxotam para fora. Está é a situação, simplesmente. Esta é a situação. Em alguns lugares dá certo, em outros não. Por quê? Porque a situação da Igreja se desarticulou, e alguns, um pouco mais próximos de nós, nos oferecem algumas facilidades. Mas se eles tentarem se mostrar conosco, imediatamente eles se queimam. 
Alguns bispos estão conosco, e nos dizem isso, mas em segredo. (É) Dizer simplesmente seus nomes, e está acabado: eles são torrados! Tal é a situação da Igreja. 
CONTINUEMOS SOBRENATURAIS, NÃO SERVE PARA NADA IRRITAR-SE OU PERDER A PACIÊNCIA
Não acabamos de lutar. Isso não deve desencorajá-los. Continuamos, isso é tudo. Continuaremos esse combate o tempo que for preciso, com a graça do Bom Deus, serenamente. Não serve para nada irritar-se nem perder a paciência. Isso não muda a situação. 
Há coisas cada vez mais escandalosas. Todas essas canonizações se tornam agora ridículas. A Igreja lança o descrédito sobre si mesma com essas coisas. Eles falam agora da beatificação de Paulo VI. Não é difícil demonstrar as coisas escandalosas que essas pessoas fizeram. Isso choca, é escandaloso. Não se pode canonizar um escandaloso. Eles fazem qualquer coisa. E isso é colocar o descrédito sobre a autoridade. O que acontece é grave. 
Não podemos fazer nada além de continuar, só isso. Então continuemos. Acho que esse não é o momento de dizer que ele não é mais papa ou não sei o que mais. 
Há anedotas que circulam, uma parte é anedota, uma parte é verdade. Eis uma anedota que ouvi: há padres em Roma que rezam no cânon “pro pontifice nostro Benedicto et pro antistite nostro Francisco“, por nosso papa Bento e nosso bispo Francisco. Esse sempre diz que ele é o bispo de Roma, ele não quer ser o papa, mas o bispo de Roma. Bem, isso é uma anedota. Mas agora o que é verdade, é que há padres em Roma que rezam ao mesmo tempo pelos dois, por Bento e Francisco: eles estão de tal modo confusos, que eles não sabem mais quem é o verdadeiro papa. Não são pessoas do nosso meio, mas modernos. Eis a que ponto a perturbação chegou. Isso se torna insensato! 
NÃO DECIDAMOS O QUE DEUS DEVE FAZER OU NÃO FAZER PARA RESOLVER A CRISE 
Continuamos, é muito simples, continuamos como somos. Essa durará o tempo que durar. O Bom Deus permite essa provação. Nós, ela nos parece longa. Mas este é o segredo do Bom Deus. Esperamos todos os dias o fim da provação. Um dia ele virá, mas acho que ficaremos surpresos pelo modo que o Bom Deus utilizará. Não sei o qual, não tenho nenhuma ideia. Quando vocês tentam imaginar, vocês têm todas as possibilidades! Cataclismo, guerra mundial, perseguição pelos muçulmanos, revolta no interior da Igreja, não necessariamente do nosso lado, mas do lado dos modernos,…, não sei de nada. Veremos. 
Mas querer projetar agora, decidir como as coisas vão se arranjar, não sei. 
Deixemos isso nas mãos do Bom Deus. Esse assunto não é nosso. Nossa questão é fazer nosso dever de estado. Isso sim! Quando nos apresentarmos diante do Bom Deus no fim de nossa vida, Ele não nos perguntará: “então, ele era papa ou não?“, mas “o que fizestes de teus dias? O que fizestes das graças que te dei?“. É isso que deveremos responder, e não querer se intrometer para resolver todos os problemas da humanidade. Estes que estão ao nosso alcance, sim, certamente, e isso é o suficiente. 
QUANTO MAIORES SÃO AS PROVAÇÕES, MAIOR DEVE SER NOSSO AMOR POR DEUS
Portanto, apesar de tudo isso, eu os convido a muita serenidade, serenidade olhando o Bom Deus, que permite essas provações assustadoras, terríveis, e que pedem de nossa parte um aumento das orações. 
É por isso que lanço essas cruzadas, para impeli-los à oração e à toda prática cristã, pois os tempos são difíceis: Devemos oferecer algo que seja proporcional a essa situação, um zelo maior para com o Bom Deus. 
Essas provações devem nos ajudar e nos ajudam a crescer no amor do Bom Deus. Elas nos obrigam a realizar esforços que não faríamos se tudo estivesse bem. Elas são “felix culpa“, o Bom Deus permite essas provações para nos provar e nos fazer crescer na virtude. Devemos confiar Nele, devemos Lhe pedir essa graça como em todas as vezes que se tem uma provação. Que essa provação sirva ao Bem, que ela sirva para nos aproximar Dele, para nos aproximar do Céu. É isso que é preciso pedir, muito mais do que sermos libertos da provação. 
Evidentemente pedimos o fim dessa crise, é preciso pedi-lo, isso é normal. Mas ao mesmo tempo, o tanto que o Bom Deus permiti-la, que ela nos sirva para nos fazer crescer em todas as virtudes: a Fé, mas também a Caridade, também a Justiça, todas as virtudes sem algo pela metade. 
EIS O TEMPO DA SANTÍSSIMA VIRGEM 
É claro para mim, é óbvio (que) esse (é o) tempo da Santíssima Virgem. Ela falou suficientemente para que ainda se ignore sua mensagem. Ela disse que o próprio Deus tinha colocado em suas mãos a paz das nações. A paz própria das nações está nas mãos da Santíssima Virgem. O que dizer então da paz da Igreja! É evidente que a mãe da Igreja tem algo para dizer. Vivamos essa devoção à Santíssima Virgem. Este é o mês de maio, vivamos intimamente essa relação com Nossa Mãe do Céu; Mãe do Céu que vai se tornar nossa mãe, vocês percebem! Rainha do universo, rainha do Céu e da Terra que nos toma por seus filhos e que pagou aos pés da cruz por cada um de nós! É o que chamamos de co-redenção. 
Somos-lhe caros, custamos-lhe; não devemos nos esquecer disso; a devoção à Santíssima Virgem não é qualquer coisa para pegar ou largar. O culto da Santíssima Virgem é uma necessidade para os católicos, e é em suas mãos que vou deixá-los. 
O tempo está contado: é hora das Vésperas e da Saudação do Santíssimo Sacramento, em seguida devo ir embora. 
O que quero insistir uma última vez é sobre todas as bobagens que circulam na internet, sobre um pretendido acordo entre a Fraternidade e Roma, superem tudo, ao passo que na realidade não há acordo. Não há. 
Dom Bernard Fellay

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